"Tem lugares que eu me lembro..." Têm pessoas que eu me lembro, tÊm músicas que eu me lembro, têm filmes que eu me lembro, se tem algo que raramente conseguimos fugir são das nossas lembranças que ficam guardadas no nosso íntimo, que só nós conseguimos acessar. Prefiro ser adepta da frase "O seu passado não faz o que você é." de autoria, creio que minha, ou então eu devo ter visto em algum lugar e ter anotado na memória do meu celular, não sei, mas enfim, eu acredito que o passado não serve pra assombrar, não serve pra não repetirmos o erro, o passado serve pra nos ensinar, não do tipo de ensinamento de generalizar, de julgar todas as pessoas devido ao erro de uma, acredito que todo mundo é diferente e que as pessoas apresentam comportamentos e reações diferentes a todos os tipo de estimulo e ação, cada um responde de uma forma, cada um erra de uma forma, cada um arrepende-se de uma forma, uns mais ou menos, mas é injusto reagir com todos da mesma forma. Sou do tipo membrana permeável, eu adapto ao problema, eu entendo o problema mas às vezes eu sinto preguiça de resolvê-lo ou apenas só quero reclamar mesmo. Prefiro ter esperanças de que tudo vai ficar certinho no final, que tudo vai ficar explicado. Não posso culpar ninguém pelo seu passado, mas posso culpar o que as consequências de um passado mal explicado podem fazer comigo, já deixei tanta coisa por causa disso. O pior de deixar é quando você não está preparado pra deixar, é quando dói tanto mais tanto que junto você sofre mas separado você não sabe o que vai ser, eu já deixei tanta coisa, abri mão de ligações, de mensagem, de carinho, pra poder aceitar as mentiras, pra poder aceitar que tudo isso me fazia mal, pra poder, pra poder, pra poder, sabe aquela sensação de soltar alguma coisa ou alguém do alto de um penhasco quando faltam apenas 5 minutos pra chegar o resgate e tudo ficar bem?! É o típico sinal de que se não deu certo uma vez, não vai dar na segunda, nem na terceira, nem na quarta, e eu me prendia a sensação de que ia dar, que ia ter que dar, que eu já tinha chegado tão longe, de que eu tava certa, mas no fim acabou, acabou minha paciência, minha auto-estima, acabou meu orgulho, acabou o meu amor pelo outro, acabou, foi esgotando, sem ficar nenhuma gotinha no fundo da garrafa, as músicas começaram a ter outra tradução, eu comecei a enxergar nas entrelinhas, não me lembro mais o número residencial, não me lembro mais da sensação que eu tinha, não me lembro mais dos diversos assuntos, tópicos de longas conversas, não me lembro mais do sabor do abraço e muito menos do gosto do beijo, me lembro só que existiu, mas por fim acho que é isso que acontece, as pessoas existem nas nossas vidas, trazem algo de bom ou de ruim, ficam ou vão embora, deixam ou levam tudo, mas sempre fazem alguma coisa. Deve ser o preço que pagamos por abrir a porta sem perguntar "Quem é?" antes. Tudo acontece do jeito que fazemos acontecer. Lembranças boas ou ruins, elas são só minhas, na verdade o que acontece comigo não afeta a vida de ninguém, ninguém vai sofrer junto comigo, as consequências das minhas escolhas são sofridas por mim, o único sujeito ativo e passivo dessa oração. Mas enfim, amanhã tudo isso vai ser passado, espero que o ano seguinte, seja melhor do que esse em todas as proporções.

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